
As palavras que se seguem foram escritas no calor da madrugada, ao sabor do silêncio ensurdecedor que teima em não nos deixar dormir e estas são, certamente, palavras que ficarão por dizer.
Ficarão por dizer porque não consegui chegar a ti.
Ficarão por dizer porque estão guardadas, fechadas.
Ficarão por dizer porque, um dia, foram sentidas e agora em que nada faz mais sentido, faz-me sentido dizer que um dia foram o sentido.
Estávamos em Novembro. O dia não me lembro. Não sei se chovia, mas sei que estava frio e era de noite.
A tarde stressante tinha sido passada entre a certeza do querer e uma incerteza do que ia acontecer mais tarde.
Hora que o relógio marcava: perto das 23 horas ou da meia-noite. Não me consigo recordar.
Local: algures entre Lisboa.
A viagem que normalmente se fazia em 45 minutos, nessa noite, foi feita não de carro, mas de avião. Não dei por ela passar. Não queria que ela acabasse.
Quando cheguei, senti o momento da despedida na pele. Arrepiei-me.
Senti as lágrimas a quererem sair sem pedir licença. Fiz-me de forte e aguentei.
Senti a tristeza a abraçar-me sem que tivesse frio e foi então que ouvi a porta do carro abrir e a fechar. Ele tinha saído...
Saíra do carro,
Saíra de junto de mim,
Saíra da minha vida.
E as palavras? Essas ficaram por lhe dizer. E ficarão.
O presente que tinha comprado com tanto Amor ficara escondido.
E o poema que lhe escrevera, perdeu a força com o passar dos dias.
Seria estúpido dizer que, se o tempo voltasse para trás, eu não mudaria nada e vivia tudo como até então.
Seria estúpido escrever que te deixava sair sem que me ouvisses e sentisses.
Seria estúpido dizer que voltava a passar o teu dia de anos e fingir que era apenas mais um dia.
Mas mais estúpido seria deixar passar mais um dia sem escrever o que queria guardar.
Estúpido seria dizer que não pensei em ti, quando, na verdade, pensei. E pensei. E voltei a pensar. Todos os dias eu pensava em ti. Pensei tanto, mas tanto que acabei por esquecer-te.
Há momentos em que temos de escolher o caminho mais doloroso e solitário.
Mas vale a pena. Há sempre alguém no findar dessa estrada e acreditem, seremos bem mais felizes!
Até sempre!!
Um beijo
Rita
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