
Não há nada pior do que estar doente.
Fica-se impaciente, rabugento, triste e com a sensação que o mundo desabou sobre nós. Pensa-se em excesso, reflecte-se em demasia, introspecta-se abusivamente.
No meio deste tempo que agora me parece ser totalmente livre, enquanto eu estou absolutamente presa, dá-me para navegar.
Moribunda pelas ruas da internet fui dar com um poeta que me agarrou com as suas palavras. Não sei se é por andar com a sensibilidade à flor da pele, mas a verdade é que fiquei anestesiada com o que li.
Não o conhecia, nem tão pouco tinha ouvido falar dele mas deixo parte de um dos seus textos. Para quem tiver paciência, claro. Quem não tiver, vá dar uma volta a um blogue menos lamechas, menos doente e menos carente.
"... Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim."
Fabricio Carpinejar
Sem comentários:
Enviar um comentário