
Cansada de acreditar na ilusão de uma dura realidade.
Cansada de acreditar em pessoas que, na verdade, usam máscaras constantes para chegar onde querem.
Cansada de sentir que dei tudo em prol de um alguém que não estava minimamente presente para mim.
Cansada de pessoas fúteis e falsas.
Cansada de pessoas que não têm qualquer problema de passar por cima de outras para atingir os seus fins.
Cansada de pensar que talvez pudesses mudar.
Cansada de perceber que, afinal, quem estava errada era eu. Sim, fui eu que não queria ver o monstro que és.
Cansada de, muitas vezes, viver neste mundo onde todas as pessoas são todas iguais, comportam-se da mesma maneira e só veem uma coisa à frente: o seu próprio bem estar.
Cansada de dizer gosto de ti num imenso vazio cujo eco se propaga frívolamente.
Cansada de procurar o lado bom das pessoas em prol de egoísmo latente e efervescente.
Cansada de pessoas que me fazem chegar notícias que sabem que me vão deixar triste.
Cansada de pessoas que não se mexem porque estagnaram numa pseudo felicidade que as leva do trabalho casa e casa trabalho.
Cansada da indiferença da maioria e do desprezo de tantas outras.
Cansada da estupidez, xica-esperteza e pseudo inteligência de muitos.
Cansada de tentar acreditar que, no fundo, a humanidade já não tem recuperação.
No outro dia perguntava a uma adolescente:
- Maria, agora que disseste que o teste te correu bem, como correu o teste aos teus colegas? Acharam-no acessível?
Responde-me ela:
- Eu sei lá. A mim só me interessa como me correu a mim. O testes dos outros não me interessa para nada.
Na altura não dei importância, mas passadas umas horas fiquei a matutar naquelas palavras frias, nuas.
Afinal é mais grave do que pensava. Já não são apenas adultos com atitudes de egocentrismo. A adolescência começa já a desenvolver os mesmos passos.
É triste, mas é a realidade. O dia a dia. A segunda, terça, quarta, quinta, sexta feira, sábado e domingo.
Costumo dizer que acredito nas pessoas até prova em contrário. E quando menos espero, pimba, fazem-me o favor de me oferecer essa prova embrulhada com um bonito papel e com um cartão com a seguinte mensagem: "Sou um cabrão. Não valho nada!".
E é aqui que me cai tudo. Fico na merda não sei quanto tempo e procuro pelos mecanismos de defesa que teimam em desaparecer. Desaparecer não, mas escondem-se e dizem-me: "Rita, desermerda-te!!!Sofre o que tens a sofrer. Chora. Isola-te. Escreve. Ri que nem uma parva ou então fica quieta no teu canto e aprende a esperar.
O meu avô sempre me disse "Quem espera sempre alcança!".
E é então que espero.
Felizmente que essas criaturas acabam no esquecimento, numa divisão que tenho cheia de caixas de sapatos onde as guardo, sem qualquer vontade de levantar a caixa e relembrar o que vivi com a pessoa em questão.
Mas no meio de tantas caixas de sapatos, há uma que me é (ainda) particularmente especial.
Por quê esta caixa e não outra qualquer?
Não sei. Apesar de ser um tipo que não vale um tusto, sem valores, sem capacidade de amar, sem vontade de ser feliz, é, na verdade, alguém com quem aprendi muito.
A partir do limite periférico que protege o seu mundo, aprendi que não podia entrar. Bati à porta, mas levei com a mesma nas fuças.
Quando somos rejeitados não vale a pena lutar. Também não vale a pena acreditar, nem tão pouco esperar. Ele não volta. Ele não muda de ideias. Ele não vai escrever uma carta a dizer como está arrenpendido, não vai enviar um SMS a dizer que tem saudades, não vai enviar um CD com uma qualquer música pindérica que até gostamos. Não vai ligar a dizer que sente a nossa falta.
Foi nessa caixa que encontrei um texto que lhe ia mandar e que nunca tive coragem para o fazer. Sabia que, no fundo, nada ia adiantar. Ele continuaria a ser intrasigente e nem sequer me daria dois minutos para eu me explicar. Dois minutos apenas. Seria assim tanto?
Foi a partir desse momento que me revoltei contra essa coisa a que chamam de amor.
Não voltei a amar.
Conheci homens fantásticos, dispostos a fazerem-me esquecer um estúpido qualquer que não devia ter-se cruzado no meu caminho. Nem eu no dele.
Conheci homens pacientes, ternurentos, fogosos, inteligentes... O tipo de homem que qualquer mulher sonharia ter a seu lado.
Mas não. Não me podia enganar e mais importante ainda, não podia enganar quem estava ao meu lado.
O tempo foi passando. A crença de que essa coisa que deixa as pessoas completamente parvas e apaixonadas, tornou-se cada vez mais forte e cada vez que conheço pessoas com problemas conjugais, percebo que, afinal o amor é apenas uma miragem.
Uma miragem que é inexistente.
Rita
Sem comentários:
Enviar um comentário