Não esqueci que ainda tinha este espaço. O único espaço que considero verdadeiramente meu, onde não tenho ninguém a criticar-me, a dizer mal de mim nas minhas costas, a opiniarem sobre o que não interessa. Este é o único espaço onde posso ser livre, sem amarras, barreiras, censuras. Sem mas, nem porquês ou tão pouco ses.
Tenho andando distante porque precisei. Precisei de perceber algumas coisas que não me faziam sentido. Estavam misturadas numa panóplia de cores e foi preciso colocá-las preto no branco. Ou branco no preto. Tanto faz.
Os dias passam a uma velocidade vertiginosa e eu... bom, eu ainda não encontrei o que precisava de encontrar. Muito pelo contrário.
Esbarro-me com pessoas que preferia não ter conhecido. Vejo caras que preferia saber que não existem e conheço formas de estar e ser que preferia que estivessem a milhas de mim.
"Podes contar sempre comigo", disse-me alguém.
E eu digo-te: Não, não posso!
A vida é curiosa. Mais uma vez tive um momento dificil, que me fez faltar a um compromisso valioso.
E foi impressionante perceber como há pessoas que parece que ficam felizes com o mau estar dos outros. Ainda por cima, quem se diz amigo!
Amigo não critica, julga ou emite opinião sobre o que não sabe.
Amigo não manda boquinhas.
Amigo não mente.
É por isto e muito mais que, desde há muito, quem escolhe os meus amigos sou eu. E tu, és carta fora do baralho. Nem para suplente serves.
Não serves nem para ser teu amigo. Mentes-te todos os dias. Finges viver num mundo que só existe em ti, porque, na verdade, o que querias era viver noutro mundo. No mundo onde sabes que não podes entrar. No mundo que te é vedado. No mundo onde tudo o que parece ser, é-o na verdade. Um mundo que nada tem que ver contigo. Apenas comigo.
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