
Já vários dias se passaram desde que partiste. Mas o tempo, esse, parece que estagnou no momento que eu sabia que seria a última vez em que ia afagar o teu pelo e dizer o quanto gostava de ti. E gosto. E gostarei até ao fim dos meus dias neste mundo.
Não consigo traduzir a mágoa que me vai na alma, nem tão pouco explicar a dor que me corrói por dentro.
Sei que ninguém entende.
Mas não os posso julgar, nem tão pouco os mandar à merda por não me entenderem... Afinal de contas, mais ninguém tinha uma relação de cumplicidade e amizade como nós.
Mais ninguém se sentava ao teu lado, às 4 horas da manhã para simplesmente estar ali, ao pé de ti, a falar sobre qualquer coisa que, à partida faria sentido, ou então, não faria sentido de todo. Mas o que importa isso? Importa sim o momento. O momento em que colocavas a tua pata sobre a minha perna ou o focinho no meu colo. E espirravas. Espirravas sempre.
Estivemos juntos treze anos. Treze anos de muito bons momentos e que começam a deixar a marca da saudade.
No desespero das minhas lágrimas, a minha mãe pergunta-me "Queres outro husky, filha?" Não, abanei a cabeça. Quero o meu cão de volta.
Se pudesse, trocava tudo o que vivi, vi, senti. Trocava tudo o que conquistei. Trocava, trocava, trocava... Mas está cá o "se".
Se, se, se... estou farta da porra dos se's que nos condicionam todos os dias, a toda a hora.
Este é, talvez, o maior desgosto da minha vida, depois da morte da minha avó.
Andei a chorar feita estúpida por desgostos de amor para depois perceber que nada são quando comparados a estas perdas. Desgostos de amor uma ova. Desgostos de pseudo-amor. Fica bem, não fica?
Tenho saudades tuas P. Muitas. Muitas. Muitas.
sinto falta das suas postagens...rita
ResponderEliminarObrigada António pelas tuas palavras.
ResponderEliminarMas a verdade é que, se por momentos quero e tenho que escrever, por outro lado falta-me algo. Um algo que não sei quando voltarei a ter. Dizem que o tempo cura tudo... pois bem, estou à espera dessa "cura".
Um beijinho
R.
sabe que a dor é a alma do poeta... espero que encontre a paz que procura, mas fique sabendo que um dia qdo menos esperar, a paz de espírito vai estar ao seu lado
Eliminar"A dor é a alma do poeta"
ResponderEliminarPoeta é o nome dele. Só poderia chamar-se assim.
Não acredito na paz de espírito. Acho que este vive em constante rebeldia, mesmo que disfarçada, e nunca chega a tocar no necessita: paz, sossegado. É como que o Desassossego de Pessoa: "O coração, se pudesse pensar, pararia".
O meu parou.
o coraçao pode parar, mas a vida continua... a vida pode ficar em stand by, mas a linha do tempo permanece a sua marcha impiedosa... podemos tentar disfarçar tudo, com a sua"rebeldia", e até olhar a vida com um certo escarne e desfaçatez, mas a verdade é que a vida continua, ainda que alicerçada em diferentes coisas e/ou pessoas, e no fim a maior cobardia que podemos cometer, é viver a vida com leviandade.
ResponderEliminarP.S bem sei que é mais fácil falar que fazer, mas fica aqui um conselho de alguém que já esteve no fim do poço - e que de certa maneira,nunca de lá saiu ( ou talvez nunca irá querer sair), mas nunca invalida o meu juízo de valor sobre o que é certo ou errado
Se o coração para como é que a vida continua?
ResponderEliminarNão continua.
Continuas tu, corpo físico, material, palpável, mas tudo o resto se evapora numa brisa imperceptível.
Estar no fundo do poço pode ser bem mais seguro do que fora dele, mas - e porque há sempre um mas - não vou querer passar os dias que me restam numa escuridão sem sentido.
Tempo. Leva tempo. Tudo leva (o seu) tempo.