terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Viver ou não viver?Eis a questão!

Olá a todos.

A história que hoje vos vou contar não é verídica, porém acredito que seja a história de muitos anónimos que se cruzaram com relações difíceis e quase impossíveis.

Estávamos no ano de 2004, mais propriamente a 24 de Junho.
Em pleno entusiasmo devido ao campeonato europeu, a cidade de Lisboa transformara-se como até então nunca se tinha visto.
As ruas estavam inundadas de portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses, etc. A mistura era tanta que parecia que o mundo se concentrara todo na capital portuguesa.
Nesse dia jogavam-se os quartos de final e Portugal ia defrontar o país de Elizabeth II no estádio da Luz.
Maria, uma jovem albicastrense tinha apanhado o Intercidades com destino a Lisboa com um grupo de amigas. O comboio estava lotado e o clima, às 13h30 era de grande agitação. Entre o reboliço das grades de cervejas, contavam-se anedotas, trocavam-se contactos, faziam-se futuras amizades e descobriam-se potenciais paixões.
Maria foi uma das assinaladas.
Na mesma carruagem ia Afonso. Um homem com 31 anos, jornalista numa redacção local e escritor nas horas vagas.
Afonso era um homem lindo. Os seus grandes olhos castanhos, com umas pestanas de fazer amolecer qualquer mulher e o seu açucarado sorriso tinham chamado a atenção de Maria, desde o primeiro segundo que o vira.
Ela não era a rapariga mais bonita do seu grupo de amigas, todavia tinha qualquer coisa que prendia o olhar de Afonso.
A viagem prosseguia sem grandes problemas, até que um amigo do jornalista, o Rui se mete com uma amiga de Maria. Conversa puxa conversa, até que, sem dar por isso, Afonso e Maria começam a conviver e chegam à fácil conclusão que vão os dois para o mesmo local.
Maria namorava há 3 anos com António. Era uma relação que se arrastava no tempo e ela estava consciente que, um dia, ia terminar. Só não sabia que o desfecho estava mais perto do que ela julgara.
Afonso era solteiro. Não tinha feitio para relações sérias. Preferia as amizades coloridas, em que o sexo fácil e um adeus, até nunca são uma constante inalterável.
Na verdade, ele não se queria envolver. Era um tipo que preferia bloquear as emoções a viver qualquer coisa que o pudesse fazer feliz.
Afonso tinha a auto-estima de rastos e os seus mecanismos de defesa estavam de tal forma activos e impregnados na sua vida que o tinham tornado num homem frio e excessivamente racional. Uma capa para proteger o que, na realidade, era.
Aos 29 anos, foi-lhe diagnosticado ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e desde então que a sua grande companhia era uma cadeira de rodas. Talvez por isso, se tivesse transformado na pessoa que (não) era.
Próxima estação: Oriente. A voz feminina fazia-se soar e a viagem estava quase a findar.
O (novo) grupo de amigos foi junto para o estádio. Rapazes e raparigas, em pleno parlatório, divertiam-se e sufocavam-se pela vitória de Portugal.
Sentados no bar, a matar a sede que se fazia sentir, Afonso e Maria ficaram sozinhos por momentos e uma troca de olhares mais forte foi obrigatória.
O tempo voara e depois de um jogo muito atribulado, Portugal ganhara!
O país entrara num êxtase comovente. As pessoas gritavam, buzinavam, abraçavam-se, beijavam-se e faziam promessas para Portugal ganhar o campeonato.
No meio de tanta alegria, Maria não conseguia disfarçar o que sentia. Sabia que o regresso seria sinónimo de afastamento daquele que viria a ser o grande amor da sua vida. Afonso também não conseguia evitar. Havia algo nele que não o deixava gozar o momento de euforia. Até que o improvável acontece.
- Maria, achas que é possível trocarmos contactos? Pergunta Afonso.
Ela nem queria saber se tinha ouvido bem ou não e respondeu sem pensar:
- Claro Afonso. Queres o meu número de telemóvel?
- Não. Dá-me antes o teu email. Diz Afonso num tom glacial.

A partir daí, as trocas de emails tornaram-se diárias, como que um ritual sagrado para os dois. Textos e mais textos foram trocados e os cantos mais recônditos das suas almas descobertos.
Era impossível negar. Afonso e Maria estavam apaixonados!
Será que o jornalista seria capaz de vencer a limitação imposta por si mesmo e entregar-se por inteiro a Maria? Ou será que iria continuar a negar a sua felicidade e adiá-la para um amanhã que jamais iria chegar?


O fim desta história não será fácil de escrever, até porque uma das famosas leis de Murphy diz que adiar é a forma mais perfeita de negar.Porém acredito que tudo é possível, desde que se queira verdadeiramente.
E as leis? Bom, essas foram feitas para não se cumprir à regra.


Até à próxima.

Um beijo
Rita

7 comentários:

  1. Neste momento é quase uma da manhã e ao ler esta história bloquei. Não sei o que deverei escrever, sou sincero.

    Rita esreves muito bem e a tua interpretação deixa-me sem "palavras", por isso é que não consigo escrever.


    Beijo!

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  2. Olá Ricardo.
    Obrigada, mais uma vez, pelo teu comentário.

    1 Beijo
    Rita

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  3. é bonita esta história, mas eu sei como terminou:
    Maria casou com Afonso,e quando ela estava grávida, ele piorou da doença e acabou por falecer, dias depois nasceu um rapagão chamado Afonso...anos mais tarde Maria voltou a apaixonar-se, mas não com tanta intensidade...e aliás precisava de um pai para o filho.

    Bj
    Maria

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  4. Texto muito bem conseguido.... gosto imenso do teu blog... estou à espera do teu próximo post...

    Beijinhos

    Marisa

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  5. Olá Maria.
    Não, a história não acabou como escreveste. Mas terás de esperar um pouco que eu revele o fim!:)
    Beijinhos e obrigada pela mensagem.

    Rita

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  6. Marisa, olá :)
    Obrigada pelo teu comentário.
    Já estou a preparar a nova história.

    Beijinhos
    Rita

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  7. Tenho muito prazer em te ler,continua
    a dar-nos esse prazer que é a leitura
    narrada por ti ,
    Um grande abraço
    PEREIRA GARCEZ

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