Olá a todos aqueles que me lêem.A pedido de algumas pessoas, venho terminar a história do pianista.
Para quem for caloiro neste meu recanto, para perceber o que vou contar, terá de, primeiro, ler “O pianista” que andará algures ali por baixo. :)
Recordo-vos que Rita tinha ficado a sós com João, o pianista do novo bar, acabado de abrir junto ao Tejo.
A conversa entre os dois decorria extraordinariamente graciosa. João era um homem culto, com sentido de humor, inteligente e provocador. Todos aqueles ingredientes que nós, mulheres, não gostamos nada, não é?!!
Por sua vez, Rita era simpática, adorava uma boa conversa regada com especiarias interessantes. Era alegre, porém, quando não conhecia bem as pessoas, mostrava-se algo reservada, mas sempre com um sorriso nos lábios e uma gargalhada pronta a sair. Alguém lhe disse um dia, que ela, não ri com os lábios… Ri com os olhos!!! Num antepassado, deve ter sido chinesa!!! Ou japonesa!!! Ou uma outra nacionalidade qualquer que tenha olhos em bico!!!
As horas passavam ao sabor da música de fundo. Jack Johnson fazia-se notar.
De repente, o silêncio naquela mesa que ficava no canto, instalou-se.
E por mais estranho que possa parecer, nenhum dos dois se sentiu-se incomodado com isso. Muito pelo contrário. Aproveitaram cada segundo para se conhecerem em silêncio, ao compasso de Same Girl.
O olhar de Rita e João tocaram-se e juntos dançaram sob a melodiosa voz do havaiano.
Até que… Ele pegou na mão dela. Percorreu-a com os seus dedos e beijou-lhe a palma da mão. Um gesto agarrado de ternura, mas uma ternura erótica.
Mais do que uma bomba sexual que estava prestes a explodir, os foguetes de sensualidade faziam-se antever a km e km de distância.
E foi ao toque de Kenny G. e George Benson que entrelaçaram os corpos e deixaram a música entranhar-se em cada poro de seus corpos.
O tempo passou, os funcionários apagaram as luzes e foram para casa.
No bar, ficaram apenas Rita e João, sob a média luz das velas que teimavam em não apagar e ao som da música.
E assim ficaram até alvorar.
Não, nada mais se passou entre os dois. Mas também, não foi preciso. Não sentiram a necessidade de ir mais rápido, quando em câmara lenta, as coisas se podem deleitar mais intensamente.
Sim, o pianista e a amiga do tolo do Alexandre continuaram a sair, a saber mais um do outro, mas descobriram uma coisa que nos tempos de hoje, dificilmente se acha. Aprenderam a ler-se. Aprenderam a conhecer os caminhos um do outro sem ser preciso dizer uma palavra.
Hoje?!!! Bem, hoje o João está em Havana. A Rita em Portugal.
A distância que os separa é mais que muita. Água e mais água.
O pianista tem os seus casos amorosos. Ela também não permanece imune às tentações masculinas.
Talvez a história de João e Rita não tenha tido um ponto final, apenas reticências.
Talvez um dia estes dois se defrontem repetidamente.
Talvez…
Ou talvez seja tarde demais para um reinício!!
Quem sabe??
Até à próxima.
Um beijo
Rita
NA- A imagem foi retirada de http://niilismo.net/galeria/index_9.php
"Colectânea de aventuras"
ResponderEliminarEm plena viagem fui avisado que o final da história do pianista já estava concluido, é deliciosa a conjução do romantismo, erotismo e lugares.
Outro instumento interessante é uma guitarra clássica, quem sabe o guitarrista näo tenha posses para viajar.
O pianista é obviamente cego, só Esses sabem "ler" sorrisos e tocar(?!) com os dedos. Cego é também o desejo na sua avidez, no seu fervilhar de emoções luzidias.
ResponderEliminarA Rita porém é cega ao comum. Gosta de ver para além do que lhe é dado e para os "bastidores" do que que lhe é exigido. E na sua suposta timidez sensata deixa transparecer a vida que lhe corre nas veias pelo arrepio da pele.. Um braille de pele, para o qual nao há manual nem liçao. Portugal é o País onde a Rita "vê" melhor. Havana é uma cidade onde o Cego, pela sua musica, pelo seu toque, mais pode ensinar a ver; dando novos horizontes aos que não os têm. E talvez por isso se dê a sentir, entregando-se ao deleite de Sentir, nos seus multiplos amores..
Rita, a tua história é um bonito "Ensaio (musical-ó-táctil) sobre a cegueira"
P.S : a foto é um belissimo auto-retrato do cego. traços aparentemente dispersos pela cegueira que no seu todo exprimem a sua personalidade clarividente..