
Estava eu numa destas noites a pensar na minha vida, quando dei por mim a relembrar um momento de uma noite de verão, sob o alpendre de uma casa que guarda grande parte das minhas lembranças quando miúda.
Estava apenas eu e a minha avó e pedi-lhe colo, como costumara fazer quando queria ou precisava de mimo.
Deitei a cabeça sobre as pernas dela, como outras vezes o fizera e passou as mãos delicadas, apesar do peso dos anos, nos meus caracóis, afagando-me o cabelo. E o silêncio apoderou-se de nós.
Engraçado. O silêncio entre nós nunca me fizera confusão. Muito pelo contrário. Era reconfortante.
-Avó... Disse eu.
-Sim?
-Quando conheceste o avô, como sabias que ele era o tal?
-Oh minha querida... Só há duas alturas na vida em que te apercebes realmente quem é o teu verdadeiro companheiro: ou quando o conheces ou quando o perdes! Disse-me ela.
Na altura não dei muita importância ao que a minha avó tinha acabado de dizer.
Passados mais de 15 anos, consegui, finalmente, entender o que a minha querida avó Maria queria dizer naquela noite quente.
E com o coração a bater mais rápido, temo escrever que percebi porque... o perdi.
Tal como quando cozinhamos, se deixarmos queimar a comida, podemos sempre prepara-la outra vez, vai custar mais pois estamos tristes, pois teremos de lavar os tachos e eles estão muito sujos, pois poderá estar algum ingrediente em falta mas se não se seguir a receita inventa-se e certamente que o que perdemos porque se queimou não será tão bom quanto este que cozinhamos agora, pois agora já aprendemos a não o deixar queimar...já não o vamos perder. Beijinhos, gostei muito do seu texto:)
ResponderEliminarOlá Ana
ResponderEliminarGostei muito da tua analogia da receita de culinária.
E não tenho muito mais a dizer. De facto, é mesmo como dizes. Perdem-se umas "coisas", mas ganham-se outras e quem sabe, se não serão muito melhores do que aquelas que deixámos "queimar", não é?
Um beijinho e obrigada pelo simpático comentário.
Rita