São 4h da manhã e estou sem sono. Desde há imensos anos que sofro de insónias, mas desde que comecei a tomar cortisona noto alterações no sono. Para pior, claro!
Ainda estou para descobrir um bem-fazer da perniciosa.
Ontem aconteceu-me uma coisa estranha. Não sei se estranha é a palavra que quero usar, mas não me apetece pensar numa que se enquadre no que sinto.
Vou recuar no tempo para organizar pensamentos (e não só!!), caso contrário ficará uma grande salganhada e nem eu própria vou perceber o que escrevi, nem tão pouco o que senti.
Há um rapaz… Vou chamá-lo de Pedro.
Por quê Pedro? Bem, porque é, unicamente, o meu nome preferido, porque é simples, porque é bonito, porque me apetece e porque sim!!Há sempre um Pedro na vida de uma mulher.
O Pedro é um amigo meu, e quando digo amigo, é apenas e somente isso.
Conheci-o em 1998 na praia dos pescadores, lembro-me perfeitamente, e desde aí fomos mantendo o contacto por carta (que saudades que tenho de escrever a alguém e receber a resposta via CTT), depois com o boom da tecnologia, usámos o telemóvel, até que deixámos de falar. Lembro-me que a última vez que o vi foi há uns anos, quando estava na faculdade.
Apesar do tempo passar, recordo-o admiravelmente. Cabelo encaracolado, castanho claro, olhos castanhos, pele branquinha, rubor facial fácil, extremamente formal e educado (ou não tivesse ele uma educação militar!) e um sorriso de orelha a orelha.
Lembro-me que, na altura, ele estava interessado por uma amiga minha, a Vera. Ou pelo menos ia assegurar que sim. Mais tarde vim a saber que, afinal, as coisas nem sempre são o que parecem.
Como referi, perdemos o contacto. Perdemos não. Deixámos de falar e ponto final. Os motivos, não sei. Coisas da vida.
Mas o que é certo é que há coisa de dois meses, o Pedro ligou-me e escusado será dizer que estivemos mais de uma hora a cavaquear. Era fim de um belo dia de calor e estava na esplanada da mais reputada pastelaria da cidade a beber um chá gelado. (Hummm... fiquei a pensar na "reputada pastelaria"... e escrito desta forma, dá a impressão que sou uma snob que só frequenta locais in!!!Mas não é nada disto. Gosto daquela esplanada. Fica na zona histórica da cidade, numa praça onde a luminosidade da estrela mãe é reflectida de uma forma mágica. Anyway...).
… A partir desse dia fomos falando quase que diariamente, por mensagens escritas. O que, admito, fui estranhando. Estranhei porque não troco mensagens com os meus amigos todos os dias e várias vezes por dia. Posso faze-lo com alguém mais especial. Mas não com um simples amigo. Até que, começo a receber mensagens de bom dia, de boa tarde, de boa noite, de bons sonhos, de bom almoço, bom jantar... Pufffff!!!!Mensagens daquelas que DE-TES-TO!!!
Tive que perguntar ao Pedro o que se estava a passar porque confesso que aquilo já me estava a provocar uma urticária mental e precisava de saber o que esperar.
A resposta, típica de conquistador de alto gabarito, deixou-me com uma neura que levou-me a responder-lhe com pouca ou nenhuma idiopatia e com uma dose extra de muito agridoce. A partir daí as nossas conversas são sempre de bradar aos céus. Ele provoca, eu ataco. Ele defende-se, contra-atacando e eu gracejo. Ele mata. Eu esfolo.
Mas ontem foi a gota de água. A paciência tem limites e a minha, à pala da maldita, leia-se cortisona, ficou bem mais adensa e diminuta.
Será que devia ter dito "sim" ao invés do "não"? Estaria a mentir se assim fosse. Pelo menos fui sincera. Insensível, mas sincera.
Argh!!!!Sinto-me tão mal. Tenho a consciência a latejar e aquela vozinha incomodativa teima em não calar-se: "O Pedro quer mostrar-te o quão importante és para ele e tu dás-lhe com os pés quando ele te tenta fazer uma surpresa?!!!!Rita, Rita, que injusta!!!".Injusta?!!Será que fui mesmo?Bolas, fui honesta, isso sim. Ele não gostou, paciência. Não podemos gostar de tudo na vida.
Vou mas é dormir sobre o assunto. Falarei com ele mais logo, com calma. Pode ser que esteja menos chateado e que entenda o meu ponto de vista. Ou não!
Por que será que os homens complicam as coisas simples?!!
Um beijo
Rita
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