domingo, 5 de fevereiro de 2012

Talvez

Já muito escrevi sobre esse fantasma que se chama Amor.
Também já disse, algumas vezes, que não acredito na sua existência e muito menos na sua sobrevivência.
Mas a verdade é que por mais que fuja, ando sempre em redor do mesmo.
Achei um poema de Pablo Neruda que me deixou sem palavras. E assim que o li, lembrei-me de ti.

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então,
sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

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