A cantiga que se segue é um conjunto de letra e música com a qual já não me identifico. Sim, presente, já não me identifico.
Mas num passado longínquo passei por isto. Senti na pele cada letra como se tatuada em mim estivesse.
Desenhei planos, tracei objectivos, para de um momento para o outro os ver queimados numa fogueira, em pleno Inverno.
Resolvi postá-la não, que precisasse de reviver um passado queimado e enterrado, do qual, a maioria dos pormenores nem me lembro mais.
Parece impossível mas nem dos traços faciais dele me consigo lembrar. Bolas, a nossa memória é uma coisa estupenda. Varre para o lixo tudo o que não precisamos, tudo o que não vamos precisar no agora, nem no amanhã.
Conheço muitas mulheres que sofrem por (des)amor. Imploram aos tipos que as amem.
Fazem juras, promessas a todas as nossas senhoras e mais algumas, querem acreditar que eles a amam com a mesma intensidade e, pior, que são capazes de morrer por elas, por amor.
Não tenho pena destas mulheres.
Afinal eu também já vivi isto. Amei estupidamente. Gritei a todos os mares "Estou aqui, merda!!Estou aqui para ti. Diz... diz o que queres, que eu faço. Sim... faço qualquer coisa, só para... só para ter um segundo da tua atenção".
(...)
Agora tenho vontade de rir.
Não é ridículo.
É falta de amor próprio. É amar alguém mais do que a nós mesmos. É querer fazê-lo feliz mais do que a nós mesmas... sim, se ele estiver feliz, todas nós somos a felicidade em pessoa. "Bolas, ele está feliz... eu consigo-o fazer feliz!!!".
Mentira.
Provavelmente estará feliz porque deu uma valente queca com a nossa melhor amiga ou porque comprou o último modelo de uma marca de carros que está na moda e que tem computador e outras merdas a bordo, tem luzes por tudo o que é buracos, estaciona sozinho e se pedir com jeitinho ainda abre a porta para entrarmos, para dar um style à Hollywood.
E depois quando chega a casa diz-nos "Acabou!!"
E nós: "Ãh?!Terei ouvido bem?!
Sentadas no sofá a processar toda informação, ele mete uma muda de roupa numa mala a pira-se.
Sai porta fora e nem um "depois falamos".
Sim, parece um drama... Poderá ser dramático, na verdade. Porém, existem histórias destas. Histórias de pessoas que amam quem não deviam de amar. Histórias de pessoas que amam em demasia. Histórias que deveriam perceber que primeiro estão elas e elas só. O resto são detalhes. Detalhes que, se tiverem de fazer parte da nossa vida, farão.
Por isto tudo deixo um mimo de alguém que admiro e que não queria morrer sem conhece-la. Sim, só tenho 32 anos. Fisicamente, pelo menos. Acho que interiormente acumulo os anos de todas as vidas que ficaram para trás.
Um beijo
R.
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é com prazer que a vejo de volta à sua escrita...
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