
Olá a todos. Antes de mais, quero agradecer as simpáticas mensagens que me mandam por mail ou via MSN.
A quem quer saber onde vou buscar inspiração, a resposta é curta: Não sei.
Talvez me inspire em mim, em ti, numa música, numa fotografia, num gesto, num cheiro... São imensas as coisas que me podem tocar ao ponto de me fazer escrever. Bem ou mal, não me interessa. O que importa é que consiga traduzir o que me vai (e muitas vezes não vai) na alma.
A próxima história é para ti. Sim, leste bem, para ti. Os nomes serão alterados, mas a essência, essa é a tua.
João andava perdido. Estava numa daquelas fases estúpidas da vida em que não sabemos muito bem o que queremos. Tinha-se despedido do seu trabalho. Não era aquilo que queria para si. Com uma licenciatura na mão, atreveu-se a ir a uma entrevista que nada tinha que ver com as suas habilitações. Mesmo assim, arriscou.
João não era homem de ficar à espera que as coisas lhe caíssem do céu. Tinha uma força inexplicável que lhe davam um sorriso irresistível.
No dia da entrevista, arranjou-se, mas nada de grandes formalidades.
Vestiu-se com umas calças de ganga, uma camisa e ténis e bastou esta conjugação para se tornar no mais belo homem à face da Terra. Para o ser na sua plenitude, faltava o perfume que teima em guardar numa estante, junto aos livros no seu quarto.
Inspiro. O cheiro que inalo é um misto. Ora Boss, ora o cheiro de João. Que mistura divinal.
João estava impaciente, sentado na sala de espera. Não era homem de ficar nervoso, porém uma ansiedade miudinha estava a dar conta da sua paciência, até que algo aconteceu e fez a ansiedade ir às urtigas.
João ficou parvo, embasbacado, estupefacto e outros adjectivos que qualificam um comportamento de espanto total.
A responsável pela atrapalhação de João, entrara na sala e a sua beleza, o seu jeito de andar, a sua maneira de sentar e a sua forma de olhar deixaram-no absorto.
Rita também ia a uma entrevista de trabalho e enquanto esperava trocou umas palavras com João.
O sorriso dela mexeu intensamente com João.
Os olhos dele provocaram arrepios em Rita.
Havia algo naqueles dois que fazia com que a história deles não ficasse por ali.
Há químicas corporais que falam por nós e que acabam por nos denunciar. Foi o caso deles.
A entrevista de Rita correra bem. A de João também. Ficaram ambos com o emprego e a motivação maior era que iam trabalhar juntos!!
A vida tem coisas mesmo estranhas.
Os dias passaram-se, os meses voaram. João andava louco por Rita. Esta, porém, andava insegura, com medo de se envolver. Mal sabia ela que já estava envolvida e há mais tempo do que ela queria acreditar.
João sabia o que queria. Queria fazer de Rita a mulher mais feliz do mundo.
Ela acabou por ceder e viveram durante 4 meses um romance digno de filme. Não, de livro! E o livro deles era tão, mas tão completo que fazia inveja a um Gabriel Garcia Marquez. A relação deles comparava-se a uma montanha russa que testava a força daquele amor todos os instantes.
Contudo, a maior prova ainda não tinha chegado, mas não faltava muito.
Num belo dia de sol, João recebe uma proposta.
-João, quero que vá para Angola chefiar duas equipas no lançamento da nossa empresa por lá. Diz-lhe o director geral da empresa onde João trabalha.
-Vai ter casa, carro, alimentação e vai ganhar cinco vezes mais. Acha que está à altura deste desafio?!
João ficou sem resposta. Caiu-lhe o Carmo e a Trindade e não conseguia sequer organizar ideias.
Esta proposta era o reconhecimento da sua competência e profissionalismo, mas havia qualquer coisa que o deixava desconfortável...
... E Rita?!Onde ficaria no meio desta confusão toda?!
João teve o apoio e incentivo de todos os seus amigos, familiares e de Rita também. Todos lhe diziam para ir. E metade dele dizia-lhe o mesmo. A parte emocional dizia "Não, João, não vás. Fica. Fica junto da pessoa que amas!".
Só ele sabe o tormento que o acompanhou até tomar a decisão final.
João, acabara por ir para Angola e a sua vida acabara por se tornar um caos. Sim, estava bem financeiramente, é verdade. Mas será que o dinheiro é tudo nesta vida?!?!
O telefone e Internet eram insuficientes para matar saudades.
João precisava de sentir Rita. De olhá-la, cheirá-la, tocar-lhe e dizer-lhe nos olhos o quanto a ama.
Por sua vez, Rita também não estava bem. Fazia-se de forte, mas não sabe até quando iria aguentar o sofrimento de ter João a milhares e milhares de Km.
A um qualquer dia do mês de Fevereiro, João falou com o director da firma. Estava decidido!!
No dia seguinte estava a regressar a Portugal.
Não havia dinheiro algum que pagasse mais aquela dor. Não havia ninguém que o fizesse ficar mais um mês ou até um dia em Angola.
Quando João chegou, Rita perdeu-se nos seus braços e chorou.
Ele não aguentou e perdeu-se nas infindáveis lágrimas que lhe escorreram o rosto e perderam-se no tempo.
Como é bom andar perdido no tempo quando estamos com a pessoa que nos faz mover montanhas e atravessar tempestades.
A história de João e Rita continua.
Um dia, volto para vos contar mais um capítulo.
Sei que ao longo deste blog, questiono muitas vezes a existência ou não do amor.
Se por um lado vejo que não existe, por outro lado confirmo precisamente o contrário.
Há uma música, cuja parte da letra é "Quem ama, protege e faz tudo por amor".
Esta história é um exemplo real de que o amor, afinal, não é apenas uma treta.
Uma vez que o João não conseguia publicar o seu comentário, escreveu-o via MSN e aqui o publico.
ResponderEliminar"Muitas vezes as palavras não são capazes de descrever sentimentos... na verdade eu acho que não o são nunca! É por isso que por mais que escreva aqui, ninguém irá perceber o que senti quando li esta tua, ou minha, pequena história ou parte dela... Para além de maravilhosamente escrita, está quase verdadeira, e se não te conhecesse como conheço, até iria achar que tinha sido copiada de um livro. Amar na verdade é do melhor que temos na vida, é o suco da alma, é o tutano do nosso bem estar... Eu amo!! E tu?
"João"