
Hoje não me sinto nada bem. Hoje não. Ontem. Este texto foi escrito no dia de ontem e fazê-lo não foi tarefa fácil, além de que, me causou uma sensação de desconforto dilacerante. Lá estou eu a mentir novamente. Raios!!!Não foi a escrita que me deixou neste estado. Foi o reproduzir para vocábulos o que vi, o que pensei mas acima de tudo o que senti.
Há duas paragens perfeitas para ver pessoas.
Não apenas para ver se são giras, feias, se usam óculos, se vão bem ou mal vestidas, se estão despenteadas... Quando falo em ver pessoas é num sentido quase que imaterial. É olhá-las. Não no aspecto de observá-las com olho "clínico", mas sim, apreciá-las enquanto seres humanos e particularmente a forma como se relacionam verbalmente, ou não, com o próximo.
Esses locais de que falo são os aeroportos e estações de comboios.
E por quê estes dois sítios, que à partida não têm nada de expressivo?
São locais tensos, onde as emoções das chegadas, a tristeza das partidas, as partilhas dos beijos, o aconchego dos abraços, a cumplicidade dos olhares, os sorrisos que se elevam a mais infinito e as lágrimas que se derramam numa equação que tendem a não terminar, se podem presenciar de uma forma admirável e violenta.
E foi isto que hoje vi.
Entrei num qualquer comboio e saí onde o vento me pediu.
Destino: Coimbra.
Coimbra, a cidade dos estudantes, a cidade dos amantes, a cidade que nunca dorme, a cidade que nos faz crer que tudo é perfeito.
Acabei por me perder nas ruas onde se aspira o estilo românico a cada canto, revivi velhos locais por onde a minha memória se perdera. A Sé Velha, a Igreja de São Bartolomeu e o rio Mondego, ai o rio... O rio mais português de Portugal.
Depois de me achar, tornei à estação. Comprei o bilhete e sentei-me num banco que ficava junto às casas de banho.
Vi as horas. Faltavam quarenta minutos para a chegada do comboio. Se há coisa que não gosto mesmo nada é de esperar.
Porém, aquela espera demorou segundos.
Sentada, com a mala sobre as pernas, voltei a olhar.
As várias linhas de caminho de ferro que estavam ali, à minha frente fizeram-me lembrar as da vida.
Umas cruzam-se. Outras nem por isso. Umas seguem para Sul, outras para Norte e por fim, há as que cessam, simplesmente, ali.
Uma estação de comboio é um sitio ofuscante com inúmeras utilidades.
Será desnecessário dizer que é onde se apanha um qualquer comboio para um qualquer destino onde nos espera uma qualquer pessoa. Servem também para irmos buscar alguém especial, por quem ansiamos pela sua chegada, mas no meio desta confusão de palavras há uma parte que me tocou intimamente.
Afinal, as estações de comboio, servem também para alguém, que poderás ser tu, eu, ele, ela ir passar algum (quem sabe se não todo?!) tempo da sua vida, numa tentativa de driblar a solidão.
Ver pessoas a vaguear à procura de, nem elas sabem o quê, durante horas e horas a fio é qualquer coisa de ameaçador.
Admito: chocou-me entranha e estranhamente.
É brutal ver o vazio nos olhos deles, delas. Mas mais brutal ainda é sentir que nada podemos fazer a não ser sorrir ou tocar-lhes discretamente no ombro.
Haverá pior coisa nesta vida do que estarmos imersos numa multidão e sentirmo-nos sós?!!
Também eu já saí mta vez nessa estação.
ResponderEliminarTambém eu já fui mto feliz lá, pois tinha alguém á minha espera e que me amava, com um sorriso para me dar e muito amor.
Também já fui muito infeliz nessa mesma estação...ninguém imagina como...
Coimbra B...como eu tenho saudades dessas viagens longas...
Maria
Olá Maria,
ResponderEliminarPercebo bem o que escreves. Afinal, quem de nós não tem, pelo menos, uma estação nas nossas vidas?!!!
A ansiedade da chegada, a dor da partida, a saudade a falar mais alto...
Enfim... O melhor mesmo é arranjarmos outras estações que nos marquem igualmente.
Um beijo
Rita