quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Não me ensinaste a esquecer-te


Ao longo da nossa existência, um sem número de pessoas cruzam a nossa vida.
Umas entram e saem a uma velocidade que quase não damos por elas, outras entram e ficam o tempo suficiente para que nos seja fácil esquece-las e há as que entram e ficam. É destas que vos quero falar.
Há uns anos conheci uma pessoa que com o desenrolar dos dias transformou-se numa que viria a ser das pessoas mais especiais que alguma vez conheci.
A primeira vez que troquei palavras com ele foi na internet, num chat que, no passado, teve um sucesso e afluência enorme.
Sei que esta coisa da internet tem muito que se lhe diga. Tem muitos contras, é um facto. Contudo as vantagens podem ser imensas. Podem ser de tal ordem que mudam a vida de uma pessoa.
As conversas voaram e se vos disser que perdi a conta ao número de palavras que trocámos, estaria a desnudar-me como nunca o fiz.
Ele era uma pessoa fantástica. Nunca pensei que fosse real. Aliás, no mundo virtual a ilusão mistura-se muitas vezes com o que pensamos ser real e vice-versa.
Um certo dia, depois de muitos meses de conversas que se perderam na madrugada, tive um click cá dentro.
O click não se deu sem mais nem menos. Já cá morava há muito tempo. A minha consciência é que se recusou a abraçá-lo como verdade e guardou-no num quarto onde a chave tinha sido lançada ao mar numa tentativa de não mais ser encontrada.
Enganei-me.
Encontraste a chave, abriste a porta e deixaste que descobrisse que estava perdida.
Loucas foram as noites que passei a pensar em ti.
Os dias foram passando, até que sem que nada fizesse adivinhar desapareceste.
Para onde foste não sei.
Sei que ainda te busco na multidão que sai do metro em hora de ponta. Ou na festa do ano em que todos parecem iguais ou nas ruas desertas de Lisboa.
Só sei que nesta confusão e desarrumação de sentimentos, não me ensinaste a esquecer-te.

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